O Fórum de Jornalistas para Igualdade no Género, realizou na semana finda um Seminário sobre Direitos Sociais e Económicos.
Ouvido à respeito, José Caxinda, responsável da Associação Cuidados da Infância, co-organizador do evento referiu que a actividade visou continuar a reflectir sobre os direitos sociais e económicos das mulheres, o seu envolvimento e empoderamento.
“Tendo em conta que os participantes são, na sua maioria, mulheres que fazem parte de diversas associações comunitárias de base que realizam acções de desenvolvimento nas comunidades, este seminário surge num momento importante para que elas absorvam conhecimentos suficientes para replicarem com aquelas mulheres que cada vez mais precisam de mensagens-chave, sobretudo para relacionados aos seus direitos”, explicou, sublinhando que só desta forma poderão exigir os seus direitos, quer seja, nas áreas da saúde, educação, saneamento ou outros.
“No âmbito deste projecto temos realizado uma série de actividades que visam o respeito pelos direitos humanos e implementando iniciativas para o alcance da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres”
Em relação a participação das mulheres, José Caxinda sustentou que tem sido positiva, pois nota-se cada vez mais mulheres a exercerem um papel de liderança nas comunidades.
“A nível das associações, notamos que as mulheres vão assumindo cada vez mais o seu papel e cargos de liderança, daí o interesse em continuar a envolvê-las nessas actividades tendo em conta o desenvolvimento do gênero, não obstante as questões culturais há muito enraizada nas nossas comunidades, e que muitas vezes, prejudicam a participação activa das mulheres”.
Por sua vez, a coordenadora do Fórum de Mulheres Jornalistas, Ermelinda da Costa, durante o seu discurso de abertura disse que, desde 2009 o FMJIG em parceria com o NCA tem desenvolvido o projecto “Quebrando Barreiras, Mídias pelos Direitos Humanos.
“No âmbito deste projecto temos realizado uma série de actividades que visam o respeito pelos direitos humanos e implementando iniciativas para o alcance da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres”, avançou.
O Fórum, segundo referiu, tem implementado, igualmente, campanhas de advocacia para promover o respeito pelos direitos humanos nas comunidades com enfoque nos direitos sociais e económicos das mulheres com vista a promoção de uma sociedade mais participativa e inclusiva através da participação cívica e campanhas de mídia para o resgate do respeito e do valor dos direitos humanos.
“Nesta senda, aproveito para informar que também faz parte da agenda do Fórum abordar com exaustão a situação das pessoas com deficiência nas comunidades, para garantir que essa questão específica seja impactante nas pessoas com deficiência e em toda a sociedade”, concluiu.
Mulheres com deficiência denunciam descriminação no seio familiar
Falando na primeira pessoa, algumas mulheres com deficiência, participantes no seminário denunciaram actos de descrição que têm sido alvo no seio das suas famílias.
Rosa Alfredo, por exemplo, denunciou que, não obstante ser uma mulher adulta tem sofrido muita descriminação da parte do próprio pai, por ser cadeirante, situação que a deixa bastante triste e, muitas vezes, com baixa auto estima.
Marcelina Zequela, uma outra participante com deficiência, reclamou o facto de muitas mulheres na sua condição serem abandonadas pelos parceiros com filhos menores por serem pessoas com deficiência.
Estes actos, segundo fez saber, muitas vezes são incentivados pelas próprias famílias, tentando fazer crer que pessoas da sua condição acabam por ser um fardo ou peso para os parceiros.
Todavia, durante o debate interactivo entre o jurista Fonseca Bengue e Ermelinda da Costa as mulheres foram aconselhadas a não se deixarem abater por esses actos que consideram um desrespeito aos direitos humanos, pois em nada abonam para o convívio salutar em família e na sociedade.
Demonstraram que, não obstante a condição de cada um, todos são importantes para uma sociedade mais justa e sã, sendo que, há casos em que a condição da pessoa não define o nível de inteligência que ela possui e que cada pessoa, não importa se tem deficiência é especial e traz consigo algo bom para partilhar com os outros.
Importa referir que durante o seminário foi apresentado o mecanismo de queixa e reclamação do Fórum de Mulheres Jornalistas cuja linha SOS é o 953763562 e abordados temas como os “Mecanismos legais de apoio às vítimas de violência baseada no género”, “Direitos económicos das mulheres”, “violência baseada no género e seu impacto social”, bem como, “normas e práticas tradicionais e o seu impacto na vida das mulheres”.