“Alternative Mining Indaba”: Sociedade civil angolana participa de evento sobre o impacto da mineração nas comunidades

A Igreja Anglicana, do conhecido Bispo Desmond Tutu, em Cape Town, acolheu, em Fevereiro, a conferência anual do Alternative Maning Indaba (AMI), que reuniu representantes da sociedade civil de diversos países do mundo para abordar a questão do impacto da indústria extractiva na vida das comunidades

Por: Elsa Alexandre

A referida conferência, que decorreu sob o lema “Histórias Alternativas de Mineração”, foi organizada pela sociedade civil africana, entre os dias 09, 10 e 11 de Fevereiro, na cidade do Cabo, na África do Sul.

O evento, designado como Alternative Mining Indaba (AMI), é um fórum internacional de ativismo, direitos humanos e políticas mineiras, onde a solidariedade e a mobilização das organizações participantes é expressiva. Anualmente esta conferência acontece em paralelo com a conferência Investing in African Mining Indaba, onde o foco principal é o investimento corporativo e lucros no sector extractivo, enquanto que a AMI serve como uma plataforma para as vozes das comunidades afetadas pela mineração.

A experiência de participar no AMI foi de grande importância para a organização, para além da troca de experiências entre as diferentes organizações do continente africano, houve também momentos de muita interação e de solidariedade, de acordo com as participantes do Fórum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade no Género.

Participaram pelo FMJIG, a Coordenadora, Milena da Costa, e a presidente da Mesa da Assembleia-Geral, Elsa Alexandre.

De acordo com as participantes do FMJIG, o evento serviu também para conhecer um pouco mais a realidade das comunidades que vivem nas zonas onde se faz a exploração mineira a nível do continente berço e perceber como as organizações parceiras têm resolvido algumas situações pontuais e concluiu-se que as comunidades africanas partilham os mesmos problemas.

Esta conferência fortaleceu a experiência e o aprendizado dos participantes e, certamente, irá contribuir para melhorar o trabalho da nossa organização e da sociedade civil, no geral.

Importa recordar que organizações da sociedade civil angolana participaram da AMI 2026, nomeadamente a ALDA, MOSAICO, UPANGUE, CICA, a plataforma TCHOTA e o FMJIG. Importa também destacar a participação da Ajuda da Igreja Norueguesa (NCA).

Ainda no âmbito da participação das organizações da sociedade civil angolana, os representantes das organizações puderam dar o seu testemunho na conferência sobre a realidade de Angola e como a sociedade angolana lida com as comunidades impactadas pela exploração mineira.

Durante os 3 dias de intensos debates, os representantes das organizações concluíram os trabalhos com uma declaração conjunta, que foi entregue ao Maning Indaba Conference, depois de uma marcha de protesto dos participantes do Alternative Maning Indaba, com várias recomendações.

Uma das recomendações refere à necessidade de se dar voz as comunidades através da criação de um espaço para o diálogo franco e aberto, onde as comunidades são informadas do que se pretende fazer e tenham a oportunidade de dar a sua opinião.

A necessidade de prestação de contas através da partilha justa da riqueza resultante da actividade extractiva com as comunidades, foi também uma das recomendações.

 A Justiça social é também uma das recomendações da sociedade civil que reivindica um espaço para abordagem de temas como o impacto ambiental da mineração e dos direitos humanos.

As organizações angolanas presentes na Conferência concluíram que devem também fazer chegar ao executivo angolano a declaração conjunta saída no AMI, para que as opiniões vindas da conferência sejam também consideradas e ouvidas.

Por outro lado, as organizações devem realizar acções conjuntas de sensibilização às comunidades, para que tenham conhecimento dos seus direitos e possam fazer ouvir a sua voz.

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