Trinta mulheres jornalistas e profissionais da comunicação social participaram, a 05 de Maio, no Lubango, num seminário de capacitação sobre igualdade de género e combate à violência baseada no género (VBG)
Por: Silvina Tchivanja
O encontro proporcionou um espaço de reflexão, partilha de conhecimentos e debate sobre estratégias para uma cobertura mediática mais responsável e humanizada.
A jornalista Luísa Rogério, membro do Fórum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade no Género (FMJIG), sublinhou que a violência baseada no Género (VBG) continua a figurar entre as principais preocupações da sociedade angolana, apelando a que os órgãos de comunicação social tratem o tema com maior profundidade e rigor. Na sua intervenção, alertou que muitos casos são abordados com alguma superficialidade, o que pode contribuir para a normalização de comportamentos abusivos. Defendeu, por isso, a capacitação contínua dos jornalistas, para que conheçam os mecanismos legais existentes e assumam um papel activo na sensibilização das comunidades.
A directora provincial da Comunicação Social, Gisela Borges, que esteve presente no encontro, enalteceu a iniciativa, considerando-a fundamental para aprofundar o domínio dos profissionais sobre os mecanismos legais de protecção das vítimas e fortalecer o papel da imprensa na promoção dos direitos humanos. Satisfeita por acolher o evento na Huíla, realçou que a formação contribuirá para uma cobertura jornalística mais ética, responsável e sensível às questões de género.
A defensora dos Direitos Humanos, Rodmira Nanga, reiterou que a igualdade de género pressupõe garantir os mesmos direitos, deveres e oportunidades a homens e mulheres, respeitando as diferenças naturais entre ambos. Alertou para a necessidade de os jornalistas dominarem os conceitos ligados ao género, de modo a evitar a revitimização durante a cobertura de casos de violência.
Amílcar Silvério Baptista, Secretário Provincial do Sindicato de Jornalistas, reforçou que os profissionais da comunicação são agentes fundamentais na consciencialização da sociedade e na promoção de mudanças de comportamento, devendo estar preparados para tratar temas sensíveis com o devido cuidado.
Entre as participantes, a jornalista Belarmina Paulino classificou a formação como uma oportunidade valiosa para esclarecer conceitos que ainda geram dúvidas no exercício da profissão, reconhecendo que muitos profissionais continuam a reproduzir estereótipos de género na escolha das fontes e na abordagem dos temas. Já a jornalista Rosy da Conceição destacou que o fórum reforçou a compreensão de que o interesse jornalístico não deve sobrepor-se à dignidade humana, e que a empatia é indispensável no contacto com vítimas de violência que nem sempre estão disponíveis ou em condições para prestar declarações.
O encontro encerrou com o compromisso colectivo dos jornalistas presentes de aplicar os conhecimentos adquiridos nas suas redacções e comunidades, em prol de uma sociedade mais justa, inclusiva e livre de todas as formas de violência.
Importa realçar que esta actividade foi realizada com o apoio da Ajuda da Igreja Norueguesa.
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